Problemas causados por Gutenberg
Peter Burke
O Livro de papel
Arnaldo Campos
A escrita, espelho dos homens...
Ladislas Mandel
Acerca da Imprensa
Gérard de Nerval
A Forma das Letras
Maria Ferrand e João Manuel Bicker
A Folha de Rosto
Dorothée de Bruchard
A Encadernação
Dorothée de Bruchard
Colecionismo: o desejo de guardar
Vera Regina Luz Grecco
Um Livro de Horas
As Riquíssimas Horas do Duque de Berry
Os livros na Idade Média
Jacques Verger (excerto)


O formato do livro, tal qual o conhecemos hoje no Ocidente, tem sua evolução retraçável até o antigo Egito. Por milênios, esta forma foi acompanhando os passos da civilização, de que o livro é elemento chave. Evoluiu como evoluiu o uso e a necessidade do texto escrito e, como tudo na história dos homens, moldando-se aos limites do material ao mesmo tempo que sempre superando-os em prol de maior velocidade, economia e funcionalidade. É uma longa história de tentativas, erros e acertos no mais das vezes anônimos.

Os antigos cristãos, cuja religião era assentada na Palavra e sua difusão, ao substituírem o rolo de papiro pelo códex de pergaminho talvez não percebessem que ao optar por um material mais barato e um formato de mais fácil transporte, promoviam uma revolução na postura do leitor: folheável, e não mais desenrolável, o livro se tornava mais acessível, incentivava a pesquisa, e podia até ser anotado, fato que acarretou mudança incalculável na vida intelectual.

A invenção da imprensa talvez fosse relegada à gaveta por séculos, não tivesse o papel, suporte mais barato que o pergaminho entrado na Europa pouco antes — o pergaminho não suportava a prensa —, não tivesse sobretudo o advento das universidades, do humanismo, da contra-reforma produzido um número crescente de ávidos leitores.

No século XVI, o livro adquiria a forma e estrutura que nos são hoje familiares. Só vêm mudando desde então as tecnologias de edição, e suas características estéticas.
Com as facilidades trazidas pela informática, nunca se produziu tantos livros como hoje — quase qualquer pessoa pode diagramar um livro e imprimi-lo em alguns exemplares nas gráficas rápidas. Em meio a tanta profusão de recursos fáceis, importa conhecer um pouco da história do livro, das razões de sua forma ser esta e não outra, para encontrar a harmonia entre a criatividade e a experiência acumulada. (D. B.)