
Proteger e preservar o objeto livro é um cuidado constante desde o início de sua história. Os egípcios, por exemplo, protegiam as bordas de seus rolos de papiro com tiras coladas. Já os antigos gregos e romanos costumavam envolvê-los em capas de pele ou pano ou, em se tratando de obras mais valiosas, em bibliotecas, (biblio + theka, cofre para livros), ou seja, cilindros de madeira, pedra ou metal onde se acomodavam vários rolos (ao lado). A prática de encadernar os livros para melhor conservá-los foi uma decorrência natural da passagem do rolo para o códex, que foi se sistematizando no Império Romano partir do século I.
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| Capa do Código de St. Emeran (870), em ouro e pedras preciosas. | capa em prata dourada do séc. VI (28 x 23 cm), encontrada em Antióquia, Turquia. |
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Evangelho de S. João (séc. VII), pertencente a S. Cuthberth. A ornamentação, com linhas pintadas em azul e amarelo sobre couro vermelho, traz os entrelaços característicos do estilo celta. |
Ferros do estilo gótico-monástico. Ao lado, capa em couro marrom do Bartolomeus, (final do séc. XV). As cantoneiras e fechos são de cobre. O adorno no estilo monástico consistia geralmente em traçados de 3 filetes grossos, formando quadrados e retângulos em meio aos quais estampavam-se os ferros, completado com pregos, cantoneiras e fechos.
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| Entre o séc. XIII e XVIII, floresce na Espanha, por influência moura, o estilo mudéjar. Seus ferros têm forma de cordas retorcidas, e permitem infinitas combinações geométricas. O resultado, belíssimo, é uma capa muito adornada, com poucos claros. |
A nova arte rapidamente floresceu na Itália, país que trouxe do Oriente a técnica da douração, que dali se estendeu para outros países europeus.
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| Ferros utilizados por Grolier | Capa de De Vita Leonis Decimi Pont, de P. Jovius (1549), encadernado por Claude de Picques para Jean Grolier. Em baixo, a divisa do bibliófilo: Io Grolieri et amicorum, (para Grolier e seus amigos). |
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| Ferros do estilo Fanfare | Capa de uma edição de Heródoto para Jacques Auguste de Thou (1553-1617). |
![]() Capa em mosaico — técnica que utiliza recortes de couro de cores variadas, embutidos ou superpostos — realizada por Augustin du Seuil para a edição de Daphnis et Chloé pertencente ao Regente (1718). |
![]() No século XVIII, muitas mulheres, além de leitoras e escritoras, eram colecionadoras de livros — como, por exemplo, Mme de Pompadour. Elas naturalmente influenciaram a arte da encadernação, nesta época do rococó. Acima, capa do Le Temple de Gnide, de Montesquieu (Paris, 1772), encadernado no estilo Dentelle (Rendado) — que se caracteriza por configurar uma espécie de renda nas bordas da capa. No centro, as armas reais, cujo unicórnio foi representado pelo encadernador por um cavalo com um chifre improvisado. |
Ferros usados pelas várias gerações da família
Derôme, de que Jacques Antoine (1696-1760) foi dos mais ilustres representantes. Embora de influência barroca, foram habilmente estilizados e formam um conjunto leve — os Derôme foram os grandes difusores do estilo dentelle, embora trabalhassem também com outros padrões.Ao lado, a capa de Teatro Jesuitico, (1654), em que mesmo o pássaro ao centro foi inteiramente composto de pequenas curvas. |
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![]() A capa desta edição de 1704 da History of the Great Rebellion, de Clarendon, bem demonstra como o comércio florescente com o Oriente Médio favoreceu a influência, na ornamentação inglesa, da arte oriental, notadamente dos tapetes persas.Executada em estilo Cottage Roof (o nome se deve à forma retangular com 2 triângulas nas pontas, que lembra um telhado visto de cima), apresenta os motivos florais tão caros aos ingleses. |
![]() O mais antigo exemplo de encadernação em estilo neo-clássico (1762) — trata-se da capa do primeiro volume de The Antiquities of Athens, de J. Stuart e N. Revett, realizada em marroquim vermelho e bordas douradas. |
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| Capa de The English Garden (1783), concebida segundo um método absolutamente inovador por William Edwards e seus filhos James e John, os "Edwards of Halifax". Imagens eram pintadas no verso do pergaminho transparente especialmente preparado, ao qual se acrescentava um fundo em papel branco. Além do bonito efeito, este método impedia que a capa se sujasse — a pintura ficava protegida, e bastava limpar o lado externo com um pano úmido. |
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Capa de Sans Famille, de Hector Malot, para a coleção infanto-juvenil de J. Hetzel et Cie, editores (1878), impressa em dourado e preto sobre tecido azul. |
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Fundador da Doves Press, T.J.Cobden-Sanderson passou a dedicar-se à arte da encadernação por sugestão da Sra. William Morris. Partidário dos ideais do movimento Arts & Crafts, foi neste estilo que desenhou seus próprios ferros, com motivos basicamente florais. Teve na encadernação o papel que coube a William Morris na edição — valorizando o trabalho artesanal em detrimento da produção industrial. |
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| Paul Bonet (1889-1971), belga radicado em Paris, foi um dos maiores expoentes da encadernação deste século. Criou, entre outros, o estilo radiante, no qual linhas aparentemente paralelas criam a sensação de 3 dimensões através de variações imperceptíveis. Acima, uma encadernação sua para Dionysius Halicarnassus (1480). |
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Dorothée de Bruchard, 1999
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