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Desenhista, poeta, pintor, ensaísta, socialista inglês, foi um dos teóricos do movimento Arts & Crafts. Partidário de reformas sociais, reagia contra o mau gosto vitoriano e a massificação causada pela revolução industrial e visava trazer às artes decorativas o equilíbrio entre a funcionalidade e a beleza da forma. Atuou em várias áreas, criando móveis, tapeçarias, papéis de parede. Em 1891 fundou a Kelmscott Press, editora destinada a publicar seus textos favoritos em belos livros e pequenas tiragens. Para a Kelmscott Press criou tipos, entre eles o Golden Type, baseado no Romano de Jenson (séc. XV), desenhou e gravou os ornamentos, além de estabelecer e deixar registrados aspectos teóricos da composição e acabamento dos livros. Publicou trabalhos de Ruskin, Keats, Shelley, mas sobretudo obras medievais, sua grande paixão, as de Chaucer em particular. Se por um lado seus críticos consideram seus livros mais bonitos que legíveis, por outro, Morris sem dúvida sensibilizou sua geração e as seguintes para a apresentação gráfica do livro. (D. B.) |
Comecei a imprimir livros com a esperança de produzir alguns com clara pretensão à beleza, ao mesmo tempo que fáceis de ler, sem ofuscar a vista nem perturbar o intelecto do leitor pela excentricidade na forma das letras. Sempre fui um grande admirador da caligrafia da Idade Média, e das primeiras impressões que a substituíram. Quanto aos livros do século XV, observei que sempre eram belos pela força da simples tipografia, mesmo sem o acréscimo dos ornamentos que abundam em muitos deles. E constituía a essência de meu empreendimento produzir livros para os quais fosse um prazer olhar enquanto peças de impressão e organização dos tipos. Olhando para a minha aventura por este ângulo, eu tinha então de considerar principalmente os seguintes elementos: o papel, a forma do tipo, o espaço relativo entre letras, palavras e linhas; e, finalmente, a posição da matéria impressa na página.
Agora, quanto ao espacejamento: primeiro, a "face" da letra deveria ser tão adjacente ao "corpo" quanto possível, de modo a evitar brancos indesejáveis entre as letras. Por outro lado, os espaços laterais entre as palavras não deveriam (a) ser maiores que o necessário para se distinguirem claramente as divisões em palavras, e (b) deveriam ser o mais parelhos possível. Impressores modernos, mesmo os melhores, atentam muito pouco para esses dois aspectos essenciais da impressão correta, e os piores dão rédea solta ao espacejamento desregrado, produzindo assim, inter alia, aqueles "canais" medonhos de linhas brancas escorrendo pela página, que tanto prejudicam a impressão decente. Terceiro, os brancos entre as linhas não deveriam ser excessivos; a moderna prática do entrelinhado deveria ser usada o mínimo possível, e jamais sem uma razão precisa como, por exemplo, distinguir uma peça especial de impressão. O único entrelinhado que me tenho permitido é, em alguns casos, uma "fina" entrelinha entre as linhas do meu tipo gótico paica: no Chaucer e nos livros de duas colunas, usei uma entrelinha mínima, e nem isso nos livros in-16o. Por último, mas essencial, vem a posição da matéria impressa na página. Esta deveria sempre deixar a margem interna mais estreita, a superior um tanto mais larga, a externa ainda mais larga, e a inferior mais larga que todas. Esta regra nunca é desdenhada nos livros medievais, manuscritos ou impressos. Impressores modernos transgridem-na sistematicamente, contradizendo assim o fato de que a unidade de um livro não é uma página, mas um par de páginas. Um amigo, bibliotecário de uma de nossas mais importantes bibliotecas privadas, conta que depois de um exame cuidadoso chegou à conclusão que a regra medieval resultava numa diferença de vinte por cento de margem para margem. Ora, essas questões de espaço e disposição são da maior importância na produção de belos livros; se corretamente observadas, farão com que um livro impresso em tipo bastante comum seja no mínimo decente e agradável à vista. Desconsiderá-las estragará o efeito do tipo mais bem desenhado.
Kelmscott House, Upper Mall, Hammersmith.
11 de novembro de 1895.
Direitos da tradução reservados:
©
Dorothée de Bruchard, 1999
Reprodução proibida

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